Amigos enfrentam trajetos difíceis sobre motocicletas

Dois amigos e um destino: Peru. De moto. Se você é dessas pessoas que começou o ano se prometendo que vai realizar a viagem dos sonhos, vai encontrar nestes dois personagens a melhor inspiração. E mais: se tem paixão por motos então, melhor ainda, porque tal qual seus pilotos, elas foram as protagonistas desta história recente. Os pilotos são Antonio Castilho, o Baiano, e Gustavo Dorta, o Labão. As motos são a “Pucca”, a Harley-Davidson 1.200 do Baiano, e a “Muchacha”, a KTM 990 Adventure do Labão, que passaram o Ano-Novo na estrada.

Raízes bauruenses de coração

Os dois não são bauruenses natos. Mas isso não faz a menor diferença. Até porque moraram em Bauru por muitos anos, onde têm dezenas de amigos. Aqui começaram a ser aventureiros sobre duas rodas andando de bicicleta e fazendo as inúmeras trilhas que os ciclistas tanto conhecem. Hoje, vivem em outras cidades. No caso de Labão, empresário, dono de site automobilístico, a cidade é São José dos Campos. Já o Baiano,  que foi professor do  Colégio Técnico da Unesp em Bauru, vive em Araçoiaba da Serra. Mas o vínculo com Bauru é tão grande que decidiram:  a viagem de moto ao Peru tinha que ter Bauru como saída e chegada. E assim foi.

Claro que esse é o tipo de viagem que não precisaria de motivo. Mas tiveram um incentivo  a mais: o tradicional Rally Paris-Dakar na América do Sul. A prova tradicional teve largada em Assunção, Capital do Paraguai, cruzando os altiplanos da Bolívia, com a chegada no dia 14 de janeiro na Argentina. Quando souberam disso em agosto, a preparação para tornar o sonho realidade começou.

Durante 20 dias, enfrentaram desafios de um trajeto difícil, longo e acidentado, mas também exuberante. A passagem pelo Paraguai, Chile, Peru, Bolívia e Argentina foi toda registrada em fotos e vídeos.

Desafios

Contando a história assim e vendo as fotos maravilhosas da viagem (algumas reproduzimos aqui), parece ter sido tudo uma maravilha. Foi uma grande aventura,sim, mas também um grande teste à vontade de se aventurar e vencer desafios, onde o fato de dirigir por estradinhas precárias, perigosas e vazias por horas e horas, foi só um deles. Mas a paisagem e o que viram valeu a pena. E o contraste, então?

Estiveram ao nível do mar e subiram até 5 mil metros de altitude, onde literalmente o ar rareava. Saíram de uma temperatura escaldante de 46 graus no deserto do Atacama para a neve; fizeram trilha inca e pegaram estradas inóspitas, cheias de barreiras caídas por causa da chuva, onde tiveram que improvisar e cortar os galões de combustível que tinham para com eles cavar a terra, desobstruir o caminho e conseguir passagem. Aliás, os galões comprados no Chile foram providenciais, porque em muitos trechos não encontravam postos.

E quando ficaram retidos em uma barreira por que a polícia simplesmente bloqueou as duas pistas da “carretera” (estrada) para que o comboio do Paris-Dakar passasse? Foram horas e horas no sol escaldante sem poder ir nem vir. Isso sem falar que a Pucca, a moto, sofreu um acidente: estacionada em uma cidadezinha, foi praticamente atropelada por um motorista paraguaio. “A sorte é que Labão conhecia essa Harley melhor do que eu. Aliás, comprei ela dele. Ele me garantiu que ela aguentaria o restante da viagem e, mesmo avariada foi o aconteceu”, conta Baiano.

Só que num determinado momento, ela arriou. Justamente na Bolívia, onde o seguro não cobria assistência. Mas nada que fazer amizade com um mecânico local não resolvesse. O homem ainda foi buscar fora do local a peça que faltava para o conserto. Uma bênção!

Solidariedade e amizade

Aliás, histórias de solidariedade  são muitas. E as amizades feitas, então? Eles nunca poderiam imaginar que cruzariam com uma ciclista brasileira que está há 1 ano e quatro meses rodando sozinha a América do Sul. E o encontro com um inglês que se juntou a eles em parte da viagem? E quando foram falar com mecânicos de uma equipe alemã (em inglês) e foram surpreendidos porque o interlocutor era de Portugal?

E o dia em que foram confundidos com participantes do rally? Isso mesmo… Sem conhecer o trajeto e indo por estradas alternativas, chegaram à frente na cidadezinha que esperava pelos participantes. Todo mundo achou que eles eram os primeiros. Foi um festival de selfies e aplausos e, agora, muitos risos na hora de contar.

 

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