Aos 74 anos, motociclista busca mais um recorde mundial nos EUA

Paulo Roberto Araújo

“As únicas coisas que os idosos não devem fazer é ficar em casa assistindo novela na TV e viver sem praticar atividade física.”

Aos 74 anos, morador de Nova Friburgo (RJ), o advogado e administrador de empresas Augusto Lins e Silva tem autoridade para dar o conselho. Detentor de dois recordes mundiais de motociclismo de longa distância na sua faixa etária, o advogado, conhecido como Augusto BR, parte para nova aventura em março do ano que vem. Ele vai percorrer perto de 45 mil quilômetros no projeto Estados Unidos Total em busca do seu terceiro recorde mundial. A viagem também marca seus 60 anos de motociclismo estradeiro.

A mais nova aventura de Augusto BR começa às 10h do dia 11 de março na Via Dutra, altura de Nova Iguaçu. Numa motocicleta de 750 cilindradas, big trail, que acaba de comprar, ele vai chegar aos Estados Unidos depois de cruzar o Sul do Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina, Chile, Bolívia, Pero, Equador, Colômbia e Venezuela. Atravessa o mar do Caribe, de Cartagena para o Panamá, e corta a Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatelama. Entra nos EUA pelo Texas, onde começa a viagem pelos 48 estados americanos.

— A previsão é percorrer 800 quilômetros por dia na viagem que vai durar pouco mais de 90 dias. Vou comemorar meus 75 anos fazendo o que mais gosto: pilotar motocicletas. Espero rodar de 45 a 50 mil quilômetros – prevê Augusto BR, que conta com o apoio da banda Faixa Etária.

Desde jovem, Augusto coleciona aventuras. Pernambucano, ele foi o prefeito mais jovem de Recife na década de 50 e, mais tarde, o deputado federal mais jovem eleito pelos pernambucanos. De uma família de juristas, meio para o Rio, mas, ao aposentar-se, preferiu a tranqüilidade da Região Serrana.  A aposentadoria não foi motivo para o sedentarismo:

— Com 70 anos, conquistei o primeiro recorde mundial, fazendo de moto o percurso Rio-Alasca-Rio. Rodei 39, 8 mil quilômetros em 103 dias no projeto Três Américas. Fui o único brasileiro a conquistar o troféu de participante mais rodado no encontro de Sturgis, na Dakota do Sul, que é o maior encontro de motociclistas do mundo, com participação de cerca de 70 mil apaixonados pelas duas rodas. O segundo recorde foi no Projeto Eurásia, no qual rodei 49 países nos continentes europeu, asiático e africano, rodando 29 mil quilômetros em 87 dias – conta Augusto BR.

Nas suas aventuras, o advogado conta com o apoio de motociclistas que vivem nas regiões cortadas por ele. Mas ele não coleciona apenas histórias e alegria:

— No projeto Eurásia, fui o único motociclista brasileiro a chegar a Cap Nord, considerada o Ushuaia europeu por estar situado no final da Noruega. Ganhei uma pneumonia, fiquei internato e quase morri – lembra.

Personagem de reportagem no Globo Repórter, seriados e alvo de entrevistas em órgãos de imprensa no Brasil e no exterior, Augusto sofreu um único acidente grave nos 60 anos de motociclismo. E não foi nas aventuras:

— Por incrível que pareça, me acidentei quando minha moto era rebocada em Santo Antônio de Pádua, muito perto da minha casa em Nova Friburgo. Por causa do acidente, fiquei internado vários dias e ganhei um joelho de titânio – diz o motociclista, que dá palestras para jovens pilotos, estudantes e não deixa de aparecer na academia de ginástica pelo menos três vezes por semana, além das caminhadas pela Fazenda Bela Vista, no distrito friburguense de Vargem Alta.

Nos fins de semana, Augusto BR viaja para os encontros de motociclistas. Ele faz a volta e retorna para casa, contudo, quando os pilotos têm que pagar para entrar nos eventos:

— A atração do evento é o motociclista. Que se cobre dos visitantes, dos moradores das cidades, porque os organizadores precisam de dinheiro para pagar as bandas, a estrutura, os serviços. O evento não tem graça se não tiver motociclista lá – conclui o motociclista veterano.

Fonte: https://meioambienterio.com/2016/11/aos-74-anos-motociclista-busca-mais-um-recorde-mundial-nos-eua/

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