De férias no trabalho, brasileiro se aventura no Rally Dakar

André Suguita, trader do mercado financeiro, estreia na competição off-road mais dura do mundo, que passará pela Argentina, Chile e Bolívia

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O que você faria se entrasse de férias? Que tal viajar com a família e amigos, curtir uma praia ou então apenas descansar em casa? Tudo isso pode ser pensado por uma pessoa que quer relaxar, mas não por aquela que vive de adrenalina e desafios e que precisa superar os próprios limites. É o caso do paulistano André Suguita, 34 anos, trader do mercado financeiro, que dará um tempo em suas atividades em bancos de investimento para se aventurar pela primeira vez no Rally Dakar, na categoria quadriciclos.

“São férias diferentes das habituais, mas o risco e a pressão do Dakar e do mercado financeiro são semelhantes. Nas duas situações eu preciso tomar decisões muito rápidas, ser dinâmico e reagir muito rápido. Vejo o rali como uma válvula de escape. Estou com este projeto desde o ano passado e agora vou conseguir concluí-lo. É uma ansiedade muito grande, pois o Dakar é uma competição maravilhosa, tem os melhores pilotos e uma estrutura enorme”, afirma.

O brasileiro é um dos 672 participantes, divididos em quatro categorias e 414 veículos (164 motos, 46 quadriciclos, 140 carros e 64 caminhões), que vai tentar superar as adversidades impostas pela organização e pela própria natureza ao longo dos nove mil quilômetros de percurso, em lugares como o Deserto do Atacama, Cordilheira dos Andes e o Salar de Uyuni. A prova off-road mais temida de todos os continentes terá largada no dia 4 de janeiro, em Buenos Aires, na Argentina. Ao longo de 14 dias, ela passará por 12 cidades e mais dois países (Chile e Bolívia).

Terminar o Dakar. Este é o objetivo de André, uma façanha inédita para um piloto brasileiro nos quadris. Para quem não conhece a competição, a meta do paulistano não é das mais empolgantes, no entanto, quem já viveu toda a intensidade e passou por percalços na corrida contra o relógio do rali sabe que completá-la será um grande resultado. “Todo piloto de rali almeja participar do Dakar. A questão é se sentir preparado para o desafio. Minha ideia é terminá-lo, já que nenhum brasileiro da categoria conseguiu. Quero sobreviver após estes longos dias. Por isso, vou com precaução e penso em minha segurança”, conta.

Na competição, o brasileiro utilizará um Can-Am e fará parte da equipe Mazzucco Dakar Team, que conta nove pilotos, sendo oito nos quadris e um nas motos, de vários países, como Bolívia, Colômbia, Chile, Alemanha, entre outros. Do Brasil, ele levará três pessoas, além de seu fiel escudeiro, o mecânico português José Augusto Ribeiro, que o encontrará em Buenos Aires. “Temos a maior equipe do Dakar entre os quadriciclos e uma boa diversidade de pilotos, muitos com boa experiência na prova. Como a equipe é de Córdoba e o rali passará pela região, meus companheiros vão poder me ajudar. Estou bastante empolgado”, complementa.

Brasileiros no Rally Dakar 2015

Além de André Suguita, o Brasil será representando no Dakar por Jean Azevedo, da Honda South America Rally Team, nas motos; a dupla Guilherme Spinelli/Youssef Haddad, da Equipe Mitsubishi Petrobras, e o navegador Maykel Justo, que competirá ao lado do português Ricardo Leal, todos nos carros.

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