Honda CTX 700N

O modelo é mais uma aposta da fábrica japonesa no futuro do motociclismo: eficiente na parte energética, esteticamente moderno e desenvolvido para “fazer do motociclismo algo mais acessível”, de acordo com a própria marca. Em resumo, é uma proposta para atrair quem ainda não se aventura sobre duas rodas.

Não é a primeira vez que a montadora mais popular do Brasil se empenha em fazer uma releitura das custom. A tendência começou com a NC 700X, da qual a CTX é derivada, e mais recentemente chegou à racional família de 500cc, que inclui CB 500F, CBR 500R e CB 500X. São motos que talvez não agradem aos mais experientes, mas têm muita propensão a cair no gosto dos aspirantes a motociclistas — especialmente mulheres — ou mesmo quem está voltando a pilotar.

1

TRÊS LETRAS, TRÊS PROMESSAS
A sigla CTX vem do slogan “comfort, technology and experience” (conforto, tecnologia e experiência, na tradução do inglês). Com esse nome, pois, a Honda se comprometeu a entregar essas três qualidades em seu produto. Para alcançar a primeira delas, o assento foi desenhado a apenas 72 centímetros do solo, com baixo centro de gravidade e boa distribuição de peso (50/50 sobre cada eixo).

Com essa mudança, o tanque foi realocado para a parte dianteira da moto, e o generoso compartimento existente na NC 700X se perdeu. Por outro lado, a CTX ganhou em centralização de massas e permitiu uma posição de pilotagem bem relaxada — banco baixo, pedaleiras avançadas e guidão largo –, sem demandar que o piloto se estique para alcançar os comandos.

Outra diferença em relação à NC 700X está na geometria: o ângulo de cáster é ligeiramente mais aberto, dando estabilidade nas retas. A altura dos assentos, o centro de gravidade e as suspensões macias a deixam bastante ágil para seu tamanho, além de equilibrada e neutra. Mal se nota os 2,25 metros de comprimento e os 209 quilos (a seco). A distância livre do solo, 13 cm, também é boa.

O conjunto de suspensões, bem macio, faz jus à proposta da moto. O garfo dianteiro absorve as imperfeições do piso sem chegar ao fim de curso e, ao mesmo tempo, transmite segurança ao piloto. Já a traseira possui um monoamortecedor fixado por links que leva o condutor a “saltar” do banco em algumas ondulações. Talvez um ajuste na pré-carga da mola — disponível no modelo e feito com uma ferramenta específica — resolva o problema.

Completam o conjunto duas rodas de 17 polegadas em liga de alumínio, com pneus sem câmara, e sistema de freios com dois discos simples, sendo o dianteiro com 320 mm e pinça de dois pistões, e o traseiro de 240 mm e pinça de pistão único. Sistema ABS (antitravamento) é de série.

Tal pacote deixou a CTX 700N muito fácil de pilotar: é um modelo obediente, principalmente em baixas velocidades, e que permite manobras simples. A leveza do guidão pode ser sentida até mesmo em estradas sinuosas, apesar de a posição da pedaleira, que raspa no chão mesmo com pneus novos, limitar um pouco os movimentos em curvas fechadas.

O motor tem a mesma arquitetura da NC 700X — dois cilindros paralelos com quatro válvulas cada, 669,6 cm³ e refrigeração líquida –, porém com desempenho mais modesto: a potência é de 47,6 cv a 6.250 rpm (contra 52,5 cv da prima), enquanto o torque fica em 6,12 kgfm a 4.750 giros (ante 6,4 kgfm).

Segundo a Honda, a diferença de força é resultado de ajustes feitos na central eletrônica (ECU), a fim de proporcionar mais torque em baixos e médios regimes. De fato, o propulsor da CTX permite manter velocidades de 120 km/h, em marchas mais altas, girando abaixo dos 4.000 rpm sem dificuldades.

Por privilegiar o torque, em alguns momentos a potência extra faz falta, como em subidas com o vento contra. Nesses casos, o jeito é reduzir uma marcha para não perder o ritmo. O bom é que essa característica deixa a CTX 700N muito econômica: Em nosso teste, a pior média foi de 22,6 km/l, com a melhor em 25,9 km/l. Como o tanque comporta até 12,4 litros, a autonomia média ficou em 300 quilômetros.

Segundo a Honda, a CTX 700N será importada para testar a reação do mercado a uma moto com proposta nova. Caso o modelo venda bem, deve seguir os caminhos da NC 700X e ser nacionalizado.

 

2

3

4

 

Deixe já o seu comentário

%d blogueiros gostam disto: