Mais eficientes, freios CBS devem ajudar a reduzir acidentes com motos

Colunista explica como funciona o sistema que distribui a frenagem nas rodas.
Eficiência dos freios independe da habilidade do motociclista.

 

Roberto Agresti

Especial para o G1

 

 

Honda CG 150 Titan CBS (Foto: Divulgação)Na Honda CG 150 Titan com CBS, os freios das duas rodas são acionados com o pedal (Foto: Divulgação)

Para colocar um freio na escalada de acidentes com motocicletas, a Honda introduziu em seu modelo mais vendido no Brasil o sistema de frenagem combinada. Batizado de CBS, (as iniciais do sistema em inglês, Combined Braking System), ele permite distribuir o poder de frenagem nas duas rodas por meio de um único comando que, no caso da nova versão da CC 150 Titan, é o pedal de freio. Até a chegada do CBS, só o freio da roda traseira entrava em ação dessa forma.

Ao contrário de carros, caminhões e ônibus, motos em geral são como bicicletas, ou seja, têm comandos separados de freio para cada roda (pedal e alavanca do guidão). Há cerca de quatro décadas, muita pesquisa tem sido dedicada ao ato de frear. A busca é não apenas para reduzir os espaços de frenagem, o que significa maior eficiência, mas também para permitir que o sistema funcione bem independente da experiência e habilidade do condutor.

O maior problema por trás dos acidentes que acompanham o boom de vendas de motos, especialmente nas regiões norte e nordeste do Brasil, decorre da má formação dos motociclistas. As maiores vítimas são os recém-habilitados que cumpriram um teste prático que não exige qualificado conhecimento de condução. As autoescolas instruem o candidato a jamais usar a alavanca da direita do guidão, que aciona o freio dianteiro, alimentando a crença popular de que ele é responsável por capotamentos. Novatos do guidão pouco sabem sobre como reduzir adequadamente a velocidade: em piso seco, 70% da força deve ser aplicada no manete, ou seja, no freio dianteiro, e 30% no pedal, o freio traseiro. Com as escolas prestando tal desserviço, o panorama é aterrorizante.

Uma CG 150 Titan equipada com o novo sistema, o CBS, poderá salvar muitas vidas? Sim, mas não tantas quanto poderia, pois ainda entrarão em cena a irresponsabilidade dos motociclistas e seus pares no trânsito, a inabilidade derivada da má formação, o descaso para com os equipamentos de segurança individuais e a própria natureza do veículo, que cobra caro por qualquer erro de quem o conduz. Melhor com CBS do que sem ele.

Em teste realizado pelo Instituto Mauá de Tecnologia, uma frenagem evitando o travamento da roda de 60 a 0 km/h em uma CG 150 Titan com CBS, usando apenas o pedal de freio, teve melhor resultado que o mesmo modelo sem o sistema: a distância de imobilização da moto foi 10 metros inferior. O mesmo teste, mas permitindo o travamento de roda, resultou em vantagem ainda maior: a CG com CBS parou em 27,3 metros, enquanto a CG sem o CBS percorreu 41,4 metros.

Resultado do teste de frenagem feito pelo Instituto Mauá (Foto: Divulgação/Honda)Resultado do teste de frenagem feito pelo Instituto Mauá, mostrando a diferença entre moto com CBS e as com o STD, que significa sistema standard, ou tradicional (Foto: Divulgação/Honda)

Por que não o ABS?
A diferença entre o sistema CBS e o ABS (ou a conjunção dos dois sistemas, chamada de C-ABS) é que a novidade que equipa a Titan não impede o travamento como faz o ABS, mas apenas permite que a ação de freio seja distribuída nas duas rodas. Ao pisar no pedal da Titan com CBS, o freio dianteiro receberá 25% da capacidade de desaceleração possível, com os restantes 75% surgindo apenas quando o condutor acionar a alavanca de freio na manete direita do guidão. Deste modo, mesmo quem não conhece a correta técnica de frear uma moto desfrutará de eficiência muito maior.

Dafra Citycom 300i CBS (Foto: Renato Durães/Divulgação)A Dafra Citycom 300i também tem sistema CBS
(Foto: Renato Durães/Divulgação)

A ação da Honda ao propor sua motocicleta mais popular com o CBS é inciativa inédita no âmbito das motos utilitárias no país e também no mundo, mas não nos scooters à venda no Brasil: o Honda Lead e PCX dispõe do CBS, assim como a nova versão do scooter Citycom 300i da Dafra. Mas apenas a partir das 300 cilindradas é possível ter o sistema ABS (como opcional). Já a combinação da frenagem integral, nas duas rodas, com o ABS é exclusiva das motos de alta cilindrada.

A Honda tem duas razões principais para adotar o CBS em detrimento do ABS. Uma delas tem relação com o maior custo do sistema ABS, que poderia aumentar o preço da pequena 150cc acima dos 10% como ocorre nas Honda CB 300R e XRE 300. Outra razão é de ordem prática, e leva em conta particularidades do uso das pequenas 125 e 150cc no Brasil, que acabam enfrentando muitas estradas sem pavimentação. Nessa situação, os freios ABS seriam “tiro no pé”, pois aumentam excessivamente o espaço necessário para a imobilização. O que comprova isso é que motos de uso misto, caso da aventureira BMW F 800 GS e suas pares, permitem o desligamento o ABS para uso off-road.

Outro aspecto importante da decisão da Honda vem do fato de que o CBS será um item de série na CG 150 Titan, sem que isso implique em repasse integral do preço da nova tecnologia ao consumidor final. Antes, a moto era vendida por R$ 7.500 (ESD) e R$ 8.000 (EX). Com a introdução do CBS, de série, os preços subiram em R$ 180, passando a R$ 7.680 (ESD) e R$ 8.180 (EX).

Com esse importante passo em direção a uma maior segurança de moto líder de vendas em nosso mercado é de se esperar que outros fabricantes proponham tecnologia semelhante. Isso certamente resultaria em veículos mais seguros para erradicar – nem que seja na marra – o péssimo e perigoso hábito de pouco ou nada usar o freio dianteiro, responsável maior pela potência de frenagem principal de qualquer veículo, especialmente a motocicleta.

Roberto Agresti (Foto: Arquivo pessoal)

 

Roberto Agresti escreve sobre motocicletas há três décadas. Nesta coluna no G1, compartilha dicas sobre pilotagem, segurança e as tendências do universo das duas rodas.

 

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