Prefeito de Bogotá proíbe passageiro do sexo masculino em motos

BOGOTÁ – Em Bogotá, levar um passageiro do sexo masculino em motocicletas grandes estará proibido a partir da próxima semana — uma medida polêmica que remete às décadas de 1980 e 1990, quando assaltos a passageiros foi uma modalidade de crime disseminada pelo cartel de Medellín, liderado pelo narcotraficante Pablo Escobar. Desta vez, a iniciativa atinge motocicletas com cilindragem superior a 125 centrímetros cúbicos, durante o dia e em todos os bairros da cidade, informou o prefeito da capital colombiana, Enrique Peñalosa, ao anunciar sua política, que atualmente vale em cidades como Cali, Barranquilla ou Cúcuta, e permance em debate constante em outras regiões do país.

— Frente ao crescimento nos últimos três anos deste tipo de delito, não podíamos simplesmente deixar que continuasse assim — afirmou o prefeito a respeito de assaltos a veículos, pedestres e lojas realizados por motoqueiros.

Em Medellín, um tribunal suspendeu a proibição em 2015, após três anos em vigor, por considerar que viola o direito dos cidadãos que se deslocam em motos sem intençao de cometer crimes.

A decisão de Peñalosa foi criticada por motociclistas da capital. Em depoimento à AP, muitos consideram a medida estigmatizada aos usuários desse tipo de veículo. Eles sustentam que a medida pode levar a repercussões negativas a profissionais que dirigem motos e ao estilo de vida numa cidade onde esse meio de transporte salva muitas pessoas de assaltos no trânsito.

— Uso a moto diariamente para me deslocar pela cidade, para realizar meu trabalho. Meu pai que também é eletricista me acompanha, e a medida que tomou o prefeito Peñalosa vai nos prejudicar — afirmou Jesus González, de 30 anos. — Que a polícia tome outras medidas como mais controle, mas não que nos restrinjam, pois nos prejudicam.

No ano passado, houve mais de 5 mil registros de furto por motociclistas com o condutor e acompanhante, com uma média de 14 casos por dia, segundo dados da polícia metropolitana de Bogotá.

Cinco a cada 100 cidadãos se desloca com frequência em moto em Bogotá, e apenas 10% deles transportam acompanhantes, segundo o prefeito.

— A proibição afetaria menos de 0,5% das pessoas que se mobilizam pela cidade, mas beneficiaria toda a cidade — declarou.

O debate cresceu há uma semana, quando uma mulher grávida foi assaltada por vários motoqueiros em um bairro exclusivo de Bogotá. A prefeitura dará continuidade aos resultados da medida para avaliar se vai estendê-la.

 

Motociclistas não poderão transportar acompanhantes do sexo masculino – Reprodução/El Tiempo
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