Primeiras impressões: scooter Dafra Cityclass 200i

Por G1
Dafra Cityclass 200i (Foto: Caio Kenji/G1)
G1 avaliou o novo Dafra Cityclass 200i (Foto: Caio Kenji/G1)

Dizer que o segmento de scooters tem futuro no Brasil é “chover no molhado”, afinal, crescem cada vez mais as vendas desses descendentes das Vespas, sobretudo em grandes cidades. Pensando neste sucesso, a Dafra, uma das marcas que mais investe neste nicho, acaba de lançar o Cityclass 200i no Brasil. A missão não é nada fácil: brigar com o Honda PCX 150, líder na categoria.

Unindo a agilidade de uma moto com mais comodidade e praticidade, os scooters têm feito muita gente deixar o carro em casa para chegar ao trabalho mais rápido.

Mas está errado quem pensa que o maior sucesso está nos produtos mais baratos, o próprio PCX não está na base de preço, custando R$ 9.015, e o Cityclass chega também nesta faixa: R$ 9.390. Modelos de entrada como Honda Lead (R$ 7.012) e Suzuki Burgman i (R$ 6.990), custam menos. A Dafra não possui produto neste patamar no momento, desde que o Smart 125 saiu de linha, mas já confirmou que terá um substituto ainda neste ano.

“A Dafra consegue vender bem quando oferece mais que as concorrentes em um produto”, afirma Creso Franco, presidente da montadora. Ao menos em sua ficha técnica, a marca brasileira fez exatamente isso. Comparado ao PCX, o modelo oferece motor de maior cilindrada e com mais potência e torque (veja comparação na tabela abaixo).

Suas dimensões também são maiores, passando impressão de mais robustez que o rival. As rodas do Cityclass são de 16 polegadas, tamanho bom para superar as irregularidades do solo – no PCX, elas são de 14 polegadas.

O espaço embaixo do assento é similar entre os dois scooters, oferecendo o suficiente para acomodar um capacete, mas o PCX leva pequena vantagem pela parte extra para levar mais alguns objetos ao lado.

Com estas credenciais, resta saber se o Cityclass possui um conjunto mecânico acertado para o exigente mercado brasileiro de motos. Para responder a esta questão, o G1 avaliou o modelo por 300 km, em deslocamentos urbanos e também na estrada.

Concorrentes Dafra Cityclass 200i (Foto: G1)

Versátil
Apesar da cilindrada extra, quando comparado ao PCX, os dados de desempenho são apenas levemente superiores no Cityclass. Com câmbio automático do tipo CVT, o modelo Dafra possui motor de 199,1 cc e 1 cilindro, com injeção eletrônica, que gera 13,86 cavalos de potência a 7.500 rpm e 1,41 kgfm de torque a 6.000 rpm.

Os números são bem próximos ao do PCX, que tem motor menor, de 153 cc, e chega a 13,6 cv a 8.500 rpm e 1,42 kgfm a 5.250 rpm. Vale ressaltar que o modelo Honda possui sistema “start-stop”, que desliga o motor automaticamente nas paradas e ajuda a diminuir o consumo de combustível, algo que o Cityclass não tem.

Pelo volume do motor, cerca de 25% maior que o PCX, a expectativa era de um desempenho bem superior ao do modelo da Honda, o que não se reflete na realidade. No entanto, esta capacidade maior na cilindrada deu espaço para que a marca trabalhasse com certa folga para atingir o desempenho.

Dafra Cityclass 200i (Foto: Caio Kenji/G1)
Honda PCX, Dafra Cityclass 200i e uma Honda CG (Foto: Caio Kenji/G1)

O resultado são boas arrancadas e um funcionamento mais do que suficiente em percursos urbanos. Para a cidade, o monocilíndrico está na medida, proporcionando força necessária para chegar à velocidade de 90 km/h em vias expressas. O modelo também pode ser uma opção para incursões na estrada.

Em contrapartida, o motor “grita” um bocado, fazendo um barulho alto e, às vezes, incômodo, com tendência a trabalhar a maior parte do tempo acima dos 4.000 rpm.

O painel é um pouco “mentiroso” quanto à velocidade, mostrando número superior ao da velocidade real. Quando chega a 120 km/h no mostrador, o modelo está, na verdade, a 107 km/h. De acordo com a empresa, a programação feita pela fábrica está dentro dos parâmetros para homologação no país, que permite este artifício.

Para autoestradas, esta velocidade é razoável e pode ser ultrapassada, caso exista uma descida no caminho. Para trechos de subida de serra, o motor garante o necessário para levar o veículo dentro de uma velocidade segura. Com um ajuste firme, as suspensões demonstram estabilidade.

Dafra Cityclass 200i (Foto: Caio Kenji/G1)
Freio do tipo CBS ajuda a parar a moto com mais faciidade (Foto: Caio Kenji/G1)

Se para acelerar o Cityclass possui qualidades, na hora de parar ele também apresenta conjunto ajustado. O sistema de freios, formado por disco de 240 mm (dianteira) e 220 mm (traseira) é eficiente, com uma “mordida” de moderada para forte. Com o advento do CBS, dispositivo de uso combinado dos freios, sua competência fica ainda maior.

No caso do Cityclass, ao utilizar o freio traseiro, parte da força é transferida ao eixo dianteiro. Como o ideal é sempre utilizar os dois freios para uma frenagem mais contundente, o sistema acaba por corrigir uma deficiência de aprendizado do motociclista. A partir de 2016, CBS ou ABS, dependendo da cilindrada, serão obrigatórios para as motos no Brasil.

Foco é a cidade
Mas é importante ficar claro que esta possibilidade estradeira do Cityclass não é seu foco principal. O modelo foi desenvolvido para a cidade e é neste ambiente que se sai melhor. Além do motor, sua agilidade é garantida por sua largura e boa capacidade de manobras entre os veículos.

Com o guidão mais alto que o de modelos de 125/150 cc, o Cityclass permite virar completamente a direção sem que esbarre no joelho caso o piloto, por exemplo, tenha 1,86 m, como foi o caso nesta avaliação.  As rodas “grandes” também são de boa valia para passar por lombadas e as conhecidas cavas entre as ruas.

Dafra Cityclass 200i (Foto: Caio Kenji/G1)
Foco de uso do Cityclass 200i é a cidade (Foto: Caio Kenji/G1)

Ao contrário do que é mais comum nos scooters, o modelo da Dafra possui um acerto bem rígido de sua suspensão, tornando difícil a ocorrência das “batidas secas” dos amortecedores, fato que ocorre quando a mola atinge o final de sua compressão. O comportamento do monoamortecedor traseiro é invejável, mas a na dianteira existe uma ressalva.

Ao passar por trechos mais esburacados, o guidão transfere com força os impactos para o braço do motociclista. A solução é não tentar “brigar” com as manoplas, e sim aliviar a pressão sobre elas. Não é algo que compromete seu desempenho, mas torna a condução desconfortável, por exemplo, em uma rua de paralelepípedos, e cansativa.

A explicação da marca é que por ser um scooter com plataforma e de longo comprimento, existe uma rebote natural da torção do chassi para as extremidades, culminando no chocoalhar do guidão.

Dafra Cityclass 200i (Foto: Caio Kenji/G1)
Espaço para bagagem leva um capacete integral (Foto: Caio Kenji/G1)

Itens de conforto
Entre os itens que trazem comodidade está o indispensável espaço para cargas embaixo do banco, além de outros mimos: espaço para objetos embaixo do painel com fechadura, onde há uma entrada USB. Com isto, é possível deixar o celular carregando enquanto se roda ou mesmo com o veículo parado.

Por seu maior porte, o Cityclass pode acomodar com facilidade e conforto pessoas de ampla gama de alturas. Os braços ficam bem posicionados, sem estar muito baixos ou altos, de maneira natural.  Para acomodar os pés, lá está um ampla plataforma, ao contrário do que ocorre com o PCX, por exemplo.

No caso do modelo da Honda, ali existe um túnel e os pés devem ser acomodados nas extremidades, como acontece com o Dafra Citycom 300i também. A vantagem da plataforma é o maior espaço para os pés, além de facilitar para o motociclista se esconder atrás do escudo dianteiro em um momento de chuva.

Dafra Cityclass 200i (Foto: Caio Kenji/G1)
Entrada USB garante carregamento de celulares (Foto: Caio Kenji/G1)

Por este vão no lugar onde se posiciona as pernas, também é facilitada o movimento de subir na moto. No entanto, faz falta no Cityclass aquele tipo de prolongamento na plataforma, que permite esticar os pés, passando do posicionamento horizontal para o inclinado, algo que o PCX possui.

Durante longos trajetos, seria uma maneira de relaxar o corpo. Falando do assento, este possui formato anatômico de bom encaixe e também uma densidade nem muito rígida e também não muito macia. A unidade avaliada já contava com um novo tipo de banco, diferente ao das primeiras. De acordo com a empresa, havia um problema de aderência ao tecido, algo que foi resolvido nesta nova versão.

Dafra Cityclass 200i (Foto: Caio Kenji/G1)
Banco do Cityclass já foi ajustado pela marca (Foto: Caio Kenji/G1)

Clientes fazem reclamações
Com projeto original da italiana Garelli, o Cityclass passou por um processo de modificações de 22 meses para o mercado brasileiro, com a inserção de 150 melhorias, como os freios CBS, suspensões, painel digital, entrada USB e sensor de inclinação que desliga a moto ao cair, afirma a marca.

O scooter é fabricado em Manaus, e a Dafra tem parceria com fornecedores chineses para diversos componentes, porém, não divulga claramente quais são – entre eles, também brasileiros e italianos. No caso de outros produtos, os parceiros são declarados, como ocorre com o Citycom 300i e Next 250, frutos de parceria com a taiwanesa SYM, e com a Riva 150, produto da chinesa Haojue.

Durante a avaliação, o comportamento do modelo foi, no geral, bem satisfatório. Em relação à mecânica, houve apenas uma falha: quando ainda frio, o motor demorava para ter força nas arrancadas e tendia a morrer, só ficando normal quando esquentava um pouco.

O motociclista Ricardo Sette teve problemas com seu Dafra Cityclass (Foto: Ricardo Sette / Arquivo Pessoal)
O motociclista Ricardo Sette teve problemas com seu
Dafra Cityclass (Foto: Ricardo Sette /
Arquivo Pessoal)

No site “Reclame Aqui”, também existem queixas sobre o desligamento do motor e pane no painel, que apagaria sem motivo aparente. A reportagem do G1 conversou com clientes que relataram as primeiras impressões com o modelo e alguns problemas. “Ela é muito boa de andar e estou gostando. Você fica em uma posição alta”, diz Ricardo Sette, analista de marketing. “Mas tive problemas: logo no primeiro dia, o retentor do motor quebrou e tive que levar para reparo. O defeito voltou e a moto acabou 15 dias parada na concessionária”, continua Sette.

Em resposta ao ocorrido, a Dafra emitiu o seguinte comunicado: “Até o momento identificamos poucas ocorrências relacionadas aos temas levantados. Mesmo sendo casos esporádicos, nossa engenharia e fábrica estão sistematicamente revisando produtos e procedimentos. Como todo lançamento há um processo de melhoria contínua”.

Após o novo conserto, a unidade de Ricardo Sette parou de funcionar de vez e a Dafra recolheu o modelo para reparo. “No caso específico do consumidor Mario Setti nossa concessionária fez o reparo no produto que será entregue ao consumidor nesta sexta-feira, dia 6 de março”, afirma a empresa.

Em outro relato, o gerente corporativo, Mario Xavier Jr., se diz satisfeito com o Cityclass. “A moto é boa, sim, meu uso é estritamente urbano, para ida e volta ao trabalho. Tive um pequeno problema, mas já foi resolvido pela concessionária, quebrou o cabo do velocímetro. E o nível do óleo estava muito baixo com apenas 571 km”, conta.

Mario Xavier Jr. está gostando se seu Dafra Cityclass (Foto: Mario Xavier Jr. / Arquivo Pessoal)
Mario Xavier Jr. está gostando se seu Dafra Cityclass (Foto: Mario Xavier Jr. / Arquivo Pessoal)

Caso não enfrente problemas de durabilidade, o modelo terá um disputa parelha contra o PCX. Uma vantagem do Cityclass é que o modelo da Honda está defasado no Brasil, enquanto no exterior nova versão com mudanças visuais e tanque maior já foi lançada. A expectativa é que a novidade seja apresentada aos brasileiros no Salão Duas Rodas 2015.

Dafra Cityclass 200i (Foto: Caio Kenji/G1)
Dafra Cityclass 200i e uma Vespinha (Foto: Caio Kenji/G1)

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