Rodar com moto no corredor pode ser relativamente seguro, diz estudo

Pesquisa nos EUA aponta que reduzir a velocidade aumenta segurança.
De 6 mil acidentes com motos analisados, 997 ocorreram no corredor.

Do G1, em São Paulo

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Um estudo publicado pela Universidade de Berkeley, Califórnia, nos Estados Unidos, apontou que rodar com motos no corredor, entre duas faixas de trânsito, pode ser relativamente seguro e com menor probabilidade de ferimentos ao usuário. Dos 6 mil acidentes de motos analisados entre junho de 2012 e agosto de 2013, no estado americano, 997 estavam relacionados com motociclistas andando entre os veículos, correspondendo a 16,6% do total.

De acordo com a pesquisa, o chamado “lane-splitting”, ato de rodar com a moto entre os carros, pode ser consideravelmente seguro se o tráfego de veículos estiver a cerca de 80 km/h ou menos e o motociclista não exceder 24 km/h acima da velocidade dos carros, caminhões e ônibus.

Baseada em relatório de acidentes com motocicletas divulgados pela Polícia Rodoviária da Califórnia, a análise foi feita pelo Centro de Pesquisa e Educação de Segurança em Transportes da Universidade de Berkeley sob autoria do professor Thomas Rice.

“Nós aprendemos que quando motos estão envolvidas em acidentes no corredor, o cenário mais comum é de motociclistas andando muito rápido quando um motorista tenta mudar de faixa”, explica o professor Thomas Rice.

Segundo o estudo, comparado aos outros usuários de motos, os motociclistas que se acidentam nos corredores têm menores chances de sofrer ferimentos na cabeça (9% contra 17%) e no torso (19% contra 29%).

Além disso, também há menor risco de um acidente fatal, com 1,2% para os acidentes no corredor, frente a 3% para aqueles que não estavam realizando o “lane-splitting”.

Califórnia busca regular o corredor
A Califórnia é o único estado americano no qual rodar no corredor não é considerado ilegal e uma lei para regularizar a situação está em trâmite. Esta nova legislação permitiria ao motociclista rodar no corredor, desde que não se desloque a velocidade 24 km/h superior a do tráfego, que não esteja acima de 80 km/h.

“Supreendentemente, descobrimos que a diferença de velocidade entre as motos e os veículos ao redor é maior motivo para lesões do que a velocidade por si só”, argumenta Rice. “É claro que quanto maior for a diferença de velocidade, mais perigoso fica. Por mais que esse conselho pareça óbvio, quando mais devagar, menor o risco de lesão”, explica Rice.

Ainda segundo o estudo na Califórnia, os motociclistas que rodam no corredor costumam andar mais nos dias de semana em horários de trabalho, usar melhores capacetes e viajar a menores velocidades. Além disso, mostraram menos ocorrências de uso de álcool e de levar passageiros.

A maioria dos motociclistas que trafegam no corredor, cerca de 69%, excede a velocidade do tráfego em 24 km/h ou menos. Entretanto, cerca de 14% dos usuários do corredor rodam em velocidades que superam em 40 km/h a de outros veículos.

Como é no Brasil?
No Brasil, a prática de rodar entre os veículos de moto não é proibida, no entanto, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) ressalta que todos veículos devem manter distância lateral e frontal, segura entre os seus e os demais veículos. Principalmente nas grandes cidades, o deslocamento entre os veículos é feito de forma corriqueira e não há restrições para uma velocidade máxima diferenciada nestas situações.

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