Scrambler Moderninha

Triumph Street Scrambler

“Scramble” significa correr e escalar de maneira desengonçada usando pés e mãos. Na Inglaterra, nos anos 1920, surgiu o conceito de adaptar motos de rua para o uso em todo terreno, deixando a moto mais leve, com escape alto, tanque menor, guidão largo, banco e para-lamas curtos e rodas raiadas com pneus cravudos. Na mecânica, o torque era favorecido em vez da velocidade final – daí surgiam as primeiras scramblers.

Nos anos 1960 vieram as “street scamblers”, como a Ducati Scrambler e a Triumph Trophy. Em 1964, o ator americano Steve McQueen participou do enduro International Six Days Trials em uma Triumph TR6SC de 333cc, inspirando a marca a lançar, em 2006, a Scrambler de 900cc na linha das “modern classics”. Eu tive uma Scrambler 2006 de importação independente – era linda, e não me importava com o escape chamuscador de calças, a frente pesada e ainda ser carburada. Quando soube que viria um novo modelo, tive coragem de vendê-la e aguardar. Será que me arrependi?

Utilizando a plataforma da Street Twin, a nova Street Scrambler tem motor bicilíndrico paralelo de 900 cc com refrigeração líquida, SOHC de 8 válvulas, ângulo do virabrequim de 270°, potência máxima de 55 CV a 5.900 rpm e torque máximo de 80 Nm a 3.230 rpm, ajustado para entregar 28% mais potência entre 2.750-4.750 rpm do que a Street Twin. A aceleração tem muito torque, mas é suave, e sensação é de ter um pouco menos potência que a Twin.

Tecnologia de ponta

A moto conta com acelerador eletrônico ride-by-wire, embreagem deslizante assistida, regulagem de distância dos manetes, ABS e controle de tração. O painel, iluminado por LED, tem velocímetro analógico e em formato digital há o indicador de marcha e funções de computador de bordo selecionáveis em ciclo: relógio, conta-giros (inexistente na Street Twin), hodômetro total e parciais, consumo médio e instantâneo e autonomia restante. É possível desligar, individualmente, ABS e controle de tração. O câmbio de 5 marchas é macio e preciso.

Enchendo o tanque de 12 litros, o painel indica autonomia de 295 km e a 120 km/h, média de consumo de 23 km/l. Houve redução de potência nessa remodelagem (o modelo antigo produzia 63 CV), deixando a moto mais econômica e leve e valorizando o torque em baixas rotações, não a velocidade final – típico de uma scrambler! O peso seco é de 206 kg, mas o centro de gravidade é baixo e, ao pilotar, a moto é muito leve.

O banco, com altura de 79 cm, é mais estreito na frente e o banco do garupa é separado e pode ser substituído por um rack de alumínio, que vem com a moto. A posição de pilotagem é de moto trail, ereta, destacando o guidão fatbar de alumínio e as pedaleiras mais à frente do que na Street Twin. Tiramos as borrachas, para não escorregar ao pilotar em pé, e não sentimos vibração alguma nos pés. Tank pads laterais de borracha facilitam agarrar o tanque com as pernas.

Proteção garantida

O protetor de cárter é de plástico, mas cumpre a função. O cano de escape duplo fica na altura de uma bota de cano médio, e tem 3 tipos de proteções térmicas. Usamos jeans para pilotagem com a bota por cima, não sentimos calor e a calça ficou intacta. Para conter o vento no peito, uma pequena bolha resolve o problema sem estragar a estética, acessório disponível no configurador no site da Triumph entre dezenas de opções para conforto e customização.

Diferente da antecessora, a moto não tem nenhum cromado. Todo o acabamento é em preto fosco, até as hastes dos retrovisores, globo ótico e molas dos amortecedores. As ponteiras em aço escovado, a tampa do corpo do acelerador em alumínio e a lanterna traseira com LED circular dão o toque contemporâneo.

Os garfos dianteiros são 8 mm mais longos que na Street Twin e as molas dos amortecedores são mais rígidas. O curso de suspensão dianteiro e traseiro é de 12 cm e a distância do solo é de 15,7 cm. No trânsito urbano, lombadas e valetas não trazem desconforto e, no off-road, achei ótima a atuação do controle de tração em erosões e pedras, cortando a aceleração momentaneamente e impedindo a derrapagem da roda traseira. As rodas raiadas, aro 19” dianteira e 17” traseira, são calçadas com pneus Metzeler Tourance com câmara, dianteiro 100/90 e o traseiro, radial, 150/70. Os freios têm disco único dianteiro de 310 mm e disco traseiro de 255 cm, com pinças Nissin de pistão duplo.

Por R$ 41.990, disponível em verde, preto e vermelho metálico, a Street Scrambler é fácil de pilotar, divertida no uso urbano, em estrada e off-road e tem estética e funções de uma verdadeira scrambler. Uma evolução irrepreensível!

FICHA TÉCNICA:

– Assento de garupa intercambiável com rack de alumínio

– Nova pinça Nissin flutuante dupla

– ABS comutável

– Controle de tração comutável

– Acelerador eletrônico

– Embreagem com auxílio de torque

– Imobilizador

– Luz traseira em LED

– Entrada USB

– Computador de Bordo

– Potência Máx  55 PS (40,5 kW) a 5.900 rpm

– Torque Máx.    80 Nm a 3.230 rpm

– Suspensão dianteira KYB, garfos de cartucho de 41 mm, curso de 120 mm

– Suspensão traseira KYB, amortecedores duplos com pré-carga ajustável, curso da roda traseira de 120 mm

– Freio dianteiro Disco único de 310 mm, pinça flutuante de 2 pistões Nissin, ABS

– Freio traseiro   Disco único de 255 mm, pinça flutuante de 2 pistões Nissin, ABS

Preço Sugerido: R$ 41.990,00

 

 

Texto: Rosa Freitag
Fotos: Fernando Esposito

Fonte: motoadventure

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