Teste Ducati Scrambler Desert Sled

A Desert Sled derivada da Urban Enduro que vem substituir. Debita 75 cavalos, é praticamente isenta de ajudas electrónicas à condução, tem um painel de instrumentos espartano, linhas simples e praticamente não oferece qualquer protecção aerodinâmica. Alterações discretas tornam esta nova moto da Ducati bastante mais competente que a sua antecessora em todos os aspectos.

A Desert Sled é, e não pretende ser mais do que, um instrumento de diversão que tanto serve para nos levar diariamente de A a B, mesmo no meio da cidade, como serve para nos entreter, horas a fio, por trilhos e caminhos perdidos no meio da natureza.

Ágil, leve, ergonómica e confortável, a Desert Sled é mais do que uma moto polivalente. É uma ferramenta que nos permite dar largas à nossa imaginação, e desenvolver a nossa habilidade para ultrapassar obstáculos: barrancos, combros, valas, ribeiras, areia, lama e gravilha deixam de ser problema, e passam a ser o desejado próximo desafio, numa espiral de prazer que apenas o cansaço pode fazer esmorecer.

Mesmo os menos treinados em condução fora do asfalto, vão garantidamente enfrentar a pouca firmeza dos pisos mais difíceis, com grande à-vontade e confiança.

A grande estrela da Desert Sled é a suspensão. A roda dianteira, que nesta Scrambler é de 19 polegadas, está suportada por uma robusta forquilha Kayaba de 46mm de diâmetro, de instalação invertida e completamente ajustável, que oferece um generoso e muito conveniente curso de 200mm, que absorve as maiores irregularidades de forma quase mágica.

A roda traseira, colocada num braço oscilante que também foi redesenhado especificamente para garantir uma maior estabilidade, é assistida por um típico amortecedor lateral que também é completamente ajustável, e igualmente oferece 200mm de curso.

Além do reforço na suspensão, a Ducati também reforçou estrategicamente o quadro, de forma a que este possa suportar, sem problemas, as agruras de uma condução mais exigente.

Claro que tudo isto resulta num incremento do peso total, mas a Desert Sled esconde esse facto com uma desconcertante agilidade.

Os condutores mais altos não se sentem “acanhados” e os mais baixos beneficiam do formato esguio do assento para conseguirem preciosos centímetros de altura de perna. A posição de condução é confortável e os comandos “caem” naturalmente nas mãos e nos pés.

O guiador amplo oferece um bom suporte e garante uma boa alavanca para manobrar. A boa brecagem é outro ponto positivo.

As Ducati Scrambler são reconhecidas pela sua simplicidade e pela pronta resposta do seu L-Twin, refrigerado a ar, com distribuição Desmodromica de 2 válvulas por cilindro. Alguns motociclistas até se sentiam intimidados com a rapidez de resposta do acelerador, pelo que a Ducati, aproveitando a adaptação da injecção para a norma Euro4, também retardou ligeiramente a resposta do acelerador, sendo agora mais fácil dosear a potência, sobretudo em manobra, em terrenos difíceis.

No entanto, basta rodar o punho com determinação para que os novos pneus Pirelli Scorpion Rally lancem no ar uma boa parte do piso que estiver debaixo da roda traseira. Com uma condução relativamente regrada, consegui médias de consumo a rondar os 6 l/100km, o que convém cumprir se se precisar de autonomias mais alargadas, já que o depósito tem uma capacidade de apenas 13,5 litros.

A travagem, a cargo de material de fricção Brembo, é assegurada por dois discos e ABS. A mordida das pinças, sobretudo a da roda da frente, é firme e bastante doseável, com uma mordida inicial bastante tolerante, facto que se agradece quando, fora do asfalto, se desliga o ABS.

Todo o sistema é mais do que satisfatório, sendo irrepreensível na terra, mas em asfalto, onde a “alegria” proporcionada pelo cantar da dupla ponteira de escape e pela agilidade do conjunto facilmente resulta em andamentos muito animados, exige que se tenha especial atenção pois a capacidade de travagem pode facilmente ficar escassa.

De qualquer forma, a Desert Sled não está vocacionada para corridas de estrada.

A iluminação é razoável, sendo o comutador de médios/máximos bem colocado e de fácil acionamento, mesmo a conduzir em pé. A qualidade geral de construção é boa, havendo pormenores de acabamento menos felizes, como o arco formado pelo tubo do travão dianteiro e pelo cabo do acelerador, que envolve o painel de instrumentos e que parece realmente inestética.

Mas a atenção ao detalhe é nítida, como os punhos a garantirem uma excelente aderência das mãos, os poisas pés cujo revestimento em borracha pode ser removido para melhor firmeza dos pés em condições de lama.

A provar que a Scrambler Desert Sled não tem medo de se meter por maus caminhos, estão a protecção metálica do cárter e a protecção metálica do farol, que vêm instaladas de série.

O pequeno painel de instrumentos, completamente digital, permite ver bem a informação essencial – a velocidade – mas o resto dos dados não são fáceis de apreender, seja devido à posição do sol, seja porque tudo está num formato bastante compacto. Mas disponibiliza bastante informação.

Á semelhança das outras motos desta gama, as tampas do depósito podem ser personalizadas ou substituídas, e uma alargada gama de acessórios oficiais está disponível para melhor configurar a Desert Sled aos gostos de cada proprietário.

Para 2017, a Scrambler Desert Sled está disponível em duas cores, Branco ou Vermelho, ambas com o quadro em preto e as jantes douradas.

Fonte: Andar de Moto

 

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