Três perguntas para José Eduardo Gonçalves, Diretor-Executivo da Abraciclo

A edição de junho do Boletim Estatístico da Seguradora Líder mostra que, somente no primeiro semestre de 2018, foram pagas 169.018 indenizações do Seguro DPVAT a vítimas de acidentes de trânsito em todo o país. Neste período, as ocorrências envolvendo motocicletas representaram 76% das indenizações, apesar delas constituírem apenas 27% da frota nacional. Nessa entrevista, o Diretor-Executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), José Eduardo Gonçalves, fala das ações para reduzir os acidentes envolvendo motocicletas, a inovação dos itens de segurança e as expectativas da indústria em relação ao crescimento do setor.

As estatísticas do Seguro DPVAT apontam que os acidentes envolvendo motociclistas respondem a maioria das indenizações do seguro. Na sua opinião, como é possível reverter esse quadro?

Na análise da Abraciclo, este quadro só poderá ser revertido por meio de duas ações simultâneas: educação e fiscalização. É preciso rever, tornando mais eficiente a formação dos condutores, tanto de motocicletas quanto de automóveis e demais veículos. As escolas devem incluir a disciplina de Segurança no Trânsito em seus currículos, como já estabelece o Código de Trânsito Brasileiro(CTB). A fiscalização precisa ser mais intensa, rigorosa e ágil para coibir o desrespeito às regras e normas de trânsito.

Atualmente, o mercado já comercializa airbags para motociclistas, por exemplo. Quais outros itens de segurança e equipamentos vêm sendo incorporados pela indústria?

A indústria de duas rodas investe constantemente em tecnologias e inovações que tornam as motocicletas mais eficientes, confortáveis, econômicas e seguras, além de menos poluentes. Uma das inovações recentes é o sistema de freio CBS (Combined Break System), que possibilita a combinação simultânea da frenagem das rodas traseira e dianteira, reduzindo o espaço de parada da motocicleta. A partir de 2019, 100% das motocicletas comercializadas no mercado nacional deverão estar equipadas com sistemas de frenagem CBS e ABS, este último projetado para evitar o travamento das rodas. Mas é importante reforçar que, apesar das inovações, os equipamentos e acessórios tradicionais de segurança, como capacete, precisam ser utilizados

Houve uma retomada na produção de motocicletas em 2018. A que esse crescimento pode ser atribuído?

Desde o segundo semestre de 2017, verifica-se uma situação de otimismo moderado. Em 2017, a média diária de vendas de motocicletas ficava na faixa de 3,3 mil unidades. Essa média subiu para 3,5 mil unidades no início de 2018 e atingiu o patamar de 3,9 mil em abril, porém perdeu o ritmo de expansão em razão de feriados prolongados e jogos do Brasil na Copa do Mundo.

A maior demanda por motocicletas tem sido parcialmente atendida com a ampliação da concessão de crédito pelas instituições financeiras e os negócios via consórcio. Para completar, mais recentemente, o aumento do preço do combustível estimulou a procura por motocicletas devido ao seu baixo consumo.

Diante deste contexto, as fabricantes revisaram suas projeções para 2018 e, em vez de um crescimento de 5,9%, passaram a considerar uma elevação de 11% na produção anual em relação a 2017, atingindo o patamar de 980 mil unidades.

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