Vilã ou melhor amiga? Como a imagem da motocicleta mudou ao longo do tempo

Propaganda da Honda nos anos 60 nos Estados UnidosNa virada dos anos 1950-1960 a imagem da motocicleta nos Estados Unidos ainda estava ligada à violência das gangues, das quais a mais notória eram os Hell’s Angels. Andar de moto e fazer arruaça, então, parecia ser algo indissociável para a maioria dos norte-americanos.

Neste contexto uma pessoa dita “de bem” não poderia jamais considerar usar uma motocicleta como meio de transporte sem arcar com os danos à imagem. O cinema evidentemente explorou à exaustão este lado malvado dos motociclistas, sendo o mais notório destes filmes o estrelado por Marlon Brando, intitulado “The Wild One” – no Brasil, “O Selvagem” (relembre motos do cinema).

Neste clima completamente antimotos a maior fabricante mundial já desde aquela época, a japonesa Honda, se instalou nos Estados Unidos. Corria o ano de 1959 e a empresa queria ampliar seus negócios, atuando diretamente no então maior mercado mundial para qualquer tipo de produto.

Porém, o entrave não era apenas a motocicleta ser vista como um veículo de bandidos. Havia também um forte ressentimento ante tudo que era japonês, eco do ataque a Pearl Harbor na 2ª Grande Guerra. Apesar de derrotados, os japoneses ainda eram vistos como inimigos. Comprar qualquer coisa deles não passava pela cabeça de muitos americanos.

o selvagem marlon brandoUma propaganda mudou tudo
Da abertura da subsidiária em Los Angeles até 1963, quatro anos depois, a Honda literalmente “patinou” nos mercado norte-americano, com vendas baixas e grande dificuldade de se impor como marca de excelência no segmento já reconhecida em outras partes do planeta, como na Europa.

Todavia, uma importante ação fez as vendas pularem da casa de 40 mil unidades/ano para mais de 200 mil em 1964. Na raiz deste impressionante salto estava a inteligente campanha de publicidade desenvolvida pela agência Grey, cujo slogan não poderia ser mais enfático: “You meet the nicest people on a Honda”. Em uma tradução livre para o português, equivaleria a algo como “Você conhece as melhores pessoas em uma Honda”.

Cartazes, páginas de revistas e demais peças publicitárias mostrando um casal inconfundivelmente americano – ele, uma espécie de James Dean, e ela, um clone de “Jeannie é um Gênio” – montados, felizes, em uma Honda Cub (antecessora da Honda C 100 Dream vendida nos anos 1990 no Brasil), mudaram a sorte da empresa nos EUA.

Até a dona de casa
A mágica de convencer os americanos que a motoneta “cavalo de batalha” da empresa, o modelo de duas rodas com motor recordista mundial de produção em todos os tempos (mais de 60 milhões de unidades foram feitas) era um bom presente de natal, de aniversário ou do que fosse, “colou”.

Com um filme de 90 segundos (veja no YouTube) que estreou no intervalo da transmissão do Oscar de 1963, então o programa com maior audiência na TV americana, mostrando uma dona de casa indo ao supermercado ou ao encontro das amigas para o chá da tarde montada na Honda Cub, a América fez as pazes com a motocicleta. Ela passou a ser considerada um meio de transporte simpático, econômico e prático. O estereótipo de “veículo do mal”, senão abolido, estava definitivamente redimensionado.

No Brasil, a imagem é outra
Gangues de motocicletas não foram ou são privilégio a América dos anos 1950 ou 1960. A tentação de ser ou parecer agressivo sobre uma moto ainda atrai muitos e povoa a imaginação de muita gente. Felizmente no Brasil, até bem pouco tempo atrás, motocicleta representava apenas um meio de lazer ou de transporte. Nada mais do que isso.

Todavia, de uma década para cá, aos criminosos descobriram as vantagens da motocicleta para a prática de delitos de vários tipos. Ágil, fácil, rápida, com uma moto chega-se antes, e foge-se antes. Roubos, furtos e assaltos cada vez mais tem a motocicleta como coadjuvante.

Outro fator que pesa contra a imagem da motocicleta entre nós, brasileiros, vem da má formação dos condutores de veículos, sejam eles motoristas e motociclistas.  Uma mal-educada guerra pelo espaço nas nossas cidades transformou em facções rivais quem faz uso de volante e quem faz uso de guidão. A irresponsabilidade de muitos motociclistas e motoristas tem matado, ferido e aleijado cada vez mais brasileiros. Consequência direta disso e de um momento econômico infeliz é a queda nas vendas das motos menores, chamadas “de entrada”, as mais acessíveis e baratas. Caem as vendas e aumentam, proporcionalmente, os que elegeram a moto inimiga da sociedade.

À luz da razão a motocicleta não faz mal nenhum, assim como um faca afiada, uma arma de fogo ou uma banana de dinamite. Logicamente será o uso que for feito destes artefatos que determinará o bem ou o mal que eles causarão ao utilizador e à sociedade.

A genial campanha de publicidade criada 50 anos atrás fez ver aos norte-americanos que japoneses e suas motos eram legais. No Brasil atual há necessidade premente de se entender que o uso de qualquer veículo, seja moto ou carro, demanda enorme responsabilidade.

Há muito se constatou que o sistema de avaliação para a concessão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é, especialmente para os motociclistas, pouco eficaz. Para melhorar esta realidade ruim, apenas a criatividade de publicitários não bastaria. À campanhas para o bom comportamento no trânsito deveriam somar-se a efetivas ações do poder executivo e legislativo e a colaboração de formadores de opinião e de toda a sociedade. Só assim poderíamos realmente “conhecer as melhores pessoas” seja ao guidão de uma moto, de um carro, bicicleta ou simplesmente andando a pé.

(Fotos: Divulgação)

 

 

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