Yamaha MT-125 – Alma de guerreira

Seis anos depois de chegar ao mercado, a MT-125 foi alvo de uma profunda renovação e apresenta-se em 2020 como um modelo totalmente novo. Mais agressiva, motor com tecnologia VVA, ciclística otimizada são apenas alguns dos argumentos da mais pequena das hyper naked da Yamaha, uma naked com uma verdadeira alma de guerreira!

Não é segredo para ninguém que os modelos 125 cc são uma importante percentagem do mercado total de duas rodas. É por isso mais do que justificado que cada fabricante desenvolva diferentes propostas nesta baixa cilindrada, e ultimamente temos visto chegar propostas bem interessantes para uma utilização urbana.

Dentro deste tipo de motos, encontramos a Yamaha MT-125. A marca japonesa criou esta 125 com a intenção de completar a sua gama hyper naked MT – Masters of Torque. 2014 marcou o ano de estreia da MT-125, e tive a sorte de ser um dos primeiros a poder experimentar o que valia esta novidade na altura. Recordo que fiquei impressionado com a pequena naked japonesa, em particular pelo seu motor de prestações muito interessantes para o segmento. E aparentemente não fui o único a gostar da MT-125!

De acordo com os números apresentados pela Yamaha durante a apresentação da nova geração da MT-125, que decorreu em Málaga, Espanha, ficamos a saber que a MT-125 tornou-se num dos modelos de destaque em termos de vendas (2ª 125cc mais vendida na Europa), e que dentro da gama MT da casa de Iwata a MT-125 representa 16% das vendas.

Mas seis anos após o lançamento da primeira geração, a MT-125 encontrava-se com argumentos menos acutilantes para enfrentar a cada vez maior concorrência, estava “obsoleta” apesar de se manter bastante interessante, como vimos recentemente num teste à versão 2019 da MT-125. Por isso a Yamaha tomou a decisão de renovar por completo este modelo, de tal forma que praticamente apenas o seu nome permanece igual ao que conhecíamos.

A Yamaha definiu o público-alvo para a nova MT-125 como sendo motociclistas jovens e urbanos, com idades entre os 17 e os 25 anos. Ora, como bem sabemos, conseguir cativar os mais jovens é uma tarefa árdua, e apenas com recurso a novas tecnologias e imagem agressiva a Yamaha seria bem sucedida na sua missão.

A nova MT-125 foi especialmente desenvolvida a pensar nos mais jovens: a imagem está mais “Anime” do que nunca, o motor inclui novas tecnologias, o painel de instrumentos é totalmente novo e digital permitindo a ligação com um app para registar os dados de cada momento de condução, as suspensões foram repensadas para acompanhar a performance do motor, os travões estão mais eficientes e seguros, e também os pneus foram aumentados em dimensões.

O motor é a grande estrela da nova MT-125. Como seria esperado, a Yamaha recorreu ao mesmo motor monocilíndrico de 124,7 cc que criou para a mais recente geração da desportiva YZF-R125 apresentada em 2019. Com 15 cv às 9000 rpm e 11,5 Nm às 8000 rpm, este “mono” encontra-se no topo das prestações dentro do seu segmento sendo dos mais interessantes para os motociclistas iniciantes..

O fato de ser uma moto que tem as suas limitações pelas regulamentações obrigou a Yamaha a desenvolver formas de melhorar o motor. Sabendo que a potência máxima de 15 cv não pode ser excedida, a marca japonesa tratou de encontrar formas de dotar o monocilíndrico de mais pulmão.

E como é que a Yamaha fez isso? Através do VVA – Variable Valve Actuation, ou seja, um sistema de atuação variável das válvulas.

Apesar do motor apresentar na ficha técnica uma única à cabeça (SOHC), na realidade é como se tivesse duas e de diferentes perfis. O VVA pode parecer um exagero. Afinal de contas estamos perante uma 125 cc, e só recentemente é que temos visto motos mais potentes e evoluídas a receberem este tipo de sistemas. Mas este é o “truque na manga” que permite à MT-125 portar-se tão bem.

O sistema VVA funciona em duas fases: sempre que o motor esteja abaixo das 7400 rpm, em que o sistema percebe que o condutor não necessita de tanta potência e o VVA seleciona um perfil mais moderado. Temos uma abertura menor, menor sobreposição das válvulas, e menor tempo de abertura. Isto permite obter uma eficiência de combustão maior.

A partir do momento em que o motor ultrapassa as 7400 rpm, um solenóide entra em ação e seleciona um perfil mais agressivo. Permite maior abertura das válvulas, maior sobreposição, e maior duração de abertura.

O monocilíndrico ganha então maior pulmão nos regimes mais elevados, ganhou 1000 rpm em relação à geração anterior, o corpo de acelerador aumenta 2 mm para 30 mm, enquanto a caixa de ar cresce para 5,5 litros de volume! Tendo em conta que a geração anterior tinha 2,9 litros, dá para perceber o aumento no fluxo de ar que entra neste novo motor.

Claro que isto é acompanhado por outra novidades no interior do motor: válvulas de admissão são 1 mm maiores em diâmetro, o pistão forjado tem tratamento para reduzir a fricção e perdas de potência devido à fricção.

Por sua vez isto obrigou a Yamaha a redefinir a transmissão, que conta com embreagem assistida e deslizante. A cremalheira aumenta para uns mais generosos 52 dentes, o que garante uma aceleração maximizada, mas ainda assim sem perder muita velocidade, pois durante esta apresentação internacional vi diversas vezes o velocímetro atingir os 120 km/h.

Sendo um motor em conformidade com as normas Euro5, a Yamaha teve também de redesenhar por completo o sistema de escape. A marca anuncia que a sonoridade está mais vincada, mas para ser sincero não consegui perceber esta melhoria. Mas outro aspeto importante e relacionado com o Euro5 é o arranque a frio. A frio existe um “bypass” que permite que o motor aqueça mais rapidamente o que por sua vez faz com que o catalisador seja mais eficiente. Assim que a temperatura de funcionamento ideal é atingida, o “bypass” abre e deixa o líquido refrigerante circular para controlar a temperatura.

Para percebermos o que vale este motor e tudo o que de novo está incluído na MT-125, a Yamaha levou-nos até Málaga. Um percurso com bom asfalto e que misturava todo o tipo de cenários permitiu perceber que esta naked é uma verdadeira guerreira.

Basta passar a perna por cima do assento a 810 mm de altura, que não é particularmente largo ou almofadado, para percebermos que em comparação com a MT-03 que também testada nesta ocasião – a MT-125 deixa-nos sentados mais sobre a frente. O tanque de combustível decresceu em volume para os 10 litros. Com estas modificações a Yamaha MT-125 mais parece uma supermoto do que propriamente uma naked, pelo que as tiradas maiores não serão um hino ao conforto em duas rodas.

Não é preciso muito para percebermos que o motor está, de fato, mais forte nos médios regimes. A primeira coisa que tentei foi perceber se sentia o sistema VVA a alterar o cariz do monocilíndrico. Mas por mais que tentasse, nunca consegui. Apenas um pequeno ícone no novo painel de instrumentos deu a indicação que o VVA estava a funcionar. É um motor extremamente suave, não há vibrações mesmo quando deixamos as rotações descerem abaixo do regime ideal, e a capacidade de recuperar rotações é impressionante para o segmento.

E apesar da sua performance esportiva, a verdade é que esta unidade motriz não deixa de ser bastante econômica. Mesmo com muito pouco cuidado para dosear o acelerador, o painel de instrumentos nunca mostrou uma média superior a 2,8 litros. Se tivermos em conta que o tanqu de combustível tem 10 litros de capacidade, ficará fácil percorrer os 300 km com um tanque. Para mim, isso é uma nota muito positiva em termos de economia!

Brilhante é a atuação da embraiagem deslizante! Podemos reduzir de marcha sem contemplações que a embraiagem digere todos os excessos assim que a roda traseira começa a bloquear, e apenas o acionamento áspero da caixa de 6 velocidades se revela como ponto menos positivo. Ainda assim, a caixa é precisa, enquanto o tato na manete de embreagem é leve.

O quadro Deltabox, que também deriva da esportiva YZF-R125, foi trabalhado para ser mais rígido na zona do pivot do braço oscilante, componente que por sua vez é mais curto. Numa moto que pesa apenas 140 kg a cheio, isto poderia ser um problema, tornando-a demasiado instável ou nervosa. Mas a Yamaha resolveu a questão modificando a geometria de direção e utilizando um pneu traseiro 140 em vez do anterior 130.

Isto resulta num comportamento muito equilibrado, previsível, com o quadro a revelar as suas qualidades numa estrada de curvas mais encadeadas em que a MT-125 se mostrou muito ágil.

Fonte: Andar de Moto

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