Conheça o trabalho dos batedores que escoltam as seleções na Copa do Mundo sub-17

A função deles é desobstruir a via e garantir que a “célula”, como é chamado o veículo ou comboio escoltado, não pare em momento algum

Quem mora ou circula pela Grande Vitória deve ter notado a presença dos comboios das oito seleções que disputam a Copa do Mundo FIFA Sub-17 no Espírito Santo. Esses comboios são escoltados por motociclistas, chamados de batedores, cuja atuação é fundamental para que o deslocamento das seleções ocorra com segurança e fluidez.

Os batedores são utilizados apenas em situações excepcionais, que envolvem o deslocamento de autoridades ou delegações de grandes eventos esportivos, como no caso da Copa do Mundo FIFA Sub-17.

A função deles é desobstruir a via e garantir que a “célula”, como é chamado o veículo ou comboio escoltado, não pare em momento algum. “O batedor não pode parar, se isso acontecer a missão falhou”, explica o agente da Guarda Civil Municipal (GCM), Luiz Claudio Gomes Dias.

Dias é um dos 10 motociclistas batedores da GCM que estão atuando junto com as equipes de segurança no torneio de futebol. Eles são responsáveis pela escolta da seleção do Tajiquistão nos percursos entre o hotel e o centro de treinamento e entre o hotel e o estádio, em Cariacica.

O agente Dias e seus colegas foram capacitados em um curso realizado no ano passado pela Polícia Rodoviária Federal. De acordo com o agente municipal, a atuação do batedor exige planejamento prévio, sintonia entre os membros da equipe e conhecimento detalhado do percurso.

Ele explica que a equipe de batedores é composta por, no mínimo, oito e, no máximo, 12 motociclistas, que se comunicam entre si por meio de gestos com o braço esquerdo. Cada um deles tem a sua função, identificada pelos nomes de cerra-fila, regulador de velocidade, ponta regulador e ponta de lança.

Na função de cerra-fila podem ficar um ou dois motociclistas. O cerra-fila é o último do comboio, segurando o trânsito para nenhum veículo sem autorização ultrapassar a célula. Para isso, transitam em movimento de zigue-zague. Caso algum veículo tente ultrapassar, o batedor tem que posicionar a moto na frente para impedir o avanço.

O regulador de velocidade, que é apenas um, vai à frente da célula e define a velocidade e a direção do grupo. Cerca de 30 metros à frente do regulador de velocidade fica o motociclista escalado para a função de ponta regulador. Sua atribuição é observar e segurar possíveis interferências como pedestres atravessando a via e veículos saindo de garagens ou postos de combustíveis.

Os demais motociclistas ficam na função de pontas de lança, únicos do grupo que se deslocam em alta velocidade. Eles se lançam a mais de um quilômetro à frente do comboio, para fechar todos os cruzamentos e vias alimentadoras ao longo do trajeto, deixando o caminho livre para a célula. Assim que o comboio os alcança, eles saem em disparada para fechar os cruzamentos adiante.

O agente Dias destaca que a célula nunca se desloca a velocidade superior ao limite da via, porém não há limite mínimo de velocidade, desde que não pare no meio do percurso.

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