Motociclistas contam aventuras sobre duas rodas em livro

Dezessete autoras entre 50 e 60 anos, 45 crônicas, muitas reuniões, prazos a cumprir e milhares de quilômetros mundo afora resultaram no recém-lançado livro “Mulheres de moto pelo mundo”, da editora Imprimatur. As 244 páginas são um convite a pegar carona em histórias que falam sobre amizade, desafios, diversão e problemas inesperados.

Essas mulheres, 11 delas moradoras da Barra, pegaram a estrada como pilotos, copilotos ou garupas. Algumas viajaram com maridos, namorados ou companheiros, percorrendo uma soma de mais de 300 mil quilômetros por cidades do Brasil e das Américas, da Europa e da Ásia.

Marisa Pacheco, uma das organizadoras da publicação, ao lado de Iara Moussatché, diz que a ideia de lançar o livro surgiu em 2017, mas no início elas não sabiam se conseguiriam levar o projeto adiante. Mesmo assim foram mergulhando, pesquisando e escrevendo com paixão as suas histórias.

— Neste momento difícil para o livro no Brasil, é muito gratificante estar incentivando a leitura e inspirando outras mulheres a realizar passeios e aventuras de motocicleta — diz Marisa. — Reunir lembranças de dez anos de amizade e companheirismo foi especial. Temos recebido vários retornos de colegas que também querem compartilhar suas histórias e trocar experiências.

Adriana Riemer é carinhosamente chamada de Cascudinha pelo grupo. Radialista, dubladora, atriz e empresária, ela tem a fama de enfrentar qualquer parada, sem tempo ruim. Casada há cinco anos com um motociclista, já rodou sobre duas rodas por Portugal, Rota 66, Foz do Iguaçu e outros destinos menos conhecidos.

— Somos amigas, mas cada uma tem um jeito completamente diferente. O que nos une é o amor pela moto, a aventura e a liberdade que ela nos traz. Aqui no Rio, estamos sempre nos vendo. Algumas trabalham, outras já se aposentaram, mas todas têm muitas histórias para contar — diz.

As outras mulheres são Claudia C. S. A. Amaral, Denise Mouro, Dione Ribeiro, Elen Furtado, Eliane Zarur, Ellen Baring, Iara Moussatché, Karmem Frota, Katia Moreira, Lili Martins, Luisa Delgado de Carvalho, Marcia Pinheiro, Marisa Pacheco, Sandra Procopio Villela, Sônia Kuhn e Sylvia Nemer.

No livro, elas contam que chegaram a percorrer mil quilômetros em um dia. Entendem que a meta não é só a chegada, mas o próprio caminho. Sylvia Nemer diz que ajudar a trocar um pneu, emprestar um agasalho e ceder um espacinho na moto para as bagagens da colega fazem parte dessa experiência tanto quanto as risadas, os abraços, os brindes, as poses para fotos, os jantares e o deslumbramento diante de paisagens.

Para Sônia Kuhn, a paixão pelas duas rodas começou aos 15 anos, em 1976. Foi quando ela ganhou dos pais uma Yamaha cinquentinha amarela, com uma condição: a moto seria levada para Miguel Pereira, onde a família passava todos os feriados e férias. Hoje, a moto está na mesma casa, onde a mãe de Sônia mora há 27 anos. Peça de museu, toda original.

No prefácio, Elaine Zarur lembra que a ideia da publicação foi lançada num dos almoços mensais de um grupo maior, formado por 65 mulheres ligadas de alguma forma ao motociclismo. Este grupo é o Almocinho do Bem, batizado assim graças às ações beneficentes praticadas regularmente pelas participantes.


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